quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

A verdade sobre “A verdade sobre os Likes”, da revista Superinteressante

No dia 24 de dezembro de 2015, a revista Superinteressante publicou uma postagem em sua página do Facebook, intitulada “Conheça a verdade sobre os Likes”.

Esta publicação gerou à fanpage da revista mais de 3.300 likes, mais de 1.300 compartilhamentos e mais de 330 comentários (grave estes números!).

Muitos acreditaram no conteúdo desta matéria. Infelizmente, muito poucos perceberam a total contradição deste resultado com o que o autor queria provar.

É indiscutível como o crescimento no uso dos recursos da rede de Mark Zuckerberg, ainda a maior plataforma de rede social do mundo, tem influenciado a forma como as empresas propagam seus produtos e serviços com o intuito de gerar novos negócios, estabelecer relacionamento e fidelizar seus consumidores.

Todavia, paralelo a este crescimento, aumenta também as tentativas dos antipatizantes do sucesso alheio em provar que algo está errado.

O repórter da Superinteressante, Bruno Garattoni, seguindo este caminho, propõe em sua matéria que “basta dar dinheiro ao Facebook para conseguir likes – para absolutamente qualquer coisa, inclusive as mais estapafúrdias”. E foi o que ele fez. Criou uma página sem qualquer conteúdo, sem sentido e sem atrativo algum para ganhar likes naturalmente. Feito isto, investiu uma quantia em promoção no próprio Facebook para receber as curtidas.

Veja o post: https://www.facebook.com/Superinteressante/posts/10154106310402580

Leia a matéria na íntegra: http://super.abril.com.br/comportamento/a-verdade-sobre-os-likes

Após explicar de forma superficial que o Facebook possui um algoritmo, cujo alcance das publicações de uma página, em média, não supera 10% do seu público (menos de 10% recebem o conteúdo em sua timeline), ele apresenta os resultados do seu experimento: investiu R$ 20,00 e, em poucas horas, já havia recebido 69 curtidas.

Assim ele procedeu novamente em uma nova página “sem sentido”. Investiu R$ 96,00 e recebeu 167 curtidas. Entre outras publicações sem sentido, cada vez que investia uma quantia, por mais absurdo que fosse o conteúdo, acabava recebendo likes.

Conclusão do repórter: “...agora você sabe como o jogo funciona. Não leve os likes a sério, porque as pessoas curtem absolutamente qualquer coisa. Basta dar dinheiro ao Facebook. Quando você vir uma página que teve muitas curtidas, saiba que podem ter sido compradas.”

Agora, vamos às verdadeiras verdades!

Qualquer agência digital que preze por serviços de qualidade, com foco em resultado, conhece os princípios básicos e fundamentais de uma ação em redes sociais: conteúdo relevante e relacionamento.

De saída, o repórter fere estes princípios ao criar páginas explicitamente confessadas sem conteúdo relevante, sem qualquer propósito comercial ou sequer informativo. A partir daqui, qualquer direção dada a seu experimento poderia resultar em qualquer coisa sem sentido, podendo ser interpretada de qualquer forma, como ele o fez.

Veja… compreende-se por “relacionamento” a interatividade produtiva entre a página e seu seguidor, diferentemente do que o repórter buscou fazer ao tentar entrar em contato com os usuários para saber por que eles curtiram a página.

Além disso, quando ele afirma “...uma página que teve muitas curtidas, saiba que podem ter sido compradas”, demonstra claramente a falta de conhecimento preliminar de como campanhas pagas funcionam no Facebook. Não se “compra” curtidas no Facebook! Pagamos a plataforma para que ela alcance pessoas que tenham o potencial perfil para a página em questão. É isso que a rede faz: promove a página. A decisão de “curtir” é do usuário, sempre!

Infelizmente, dada a reputação (agora questionável por esta matéria) da Superinteressante, o repórter recebeu a atenção que ele queria e, sem saber (será?), acabou prestando um desserviço aos usuários do Facebook e seguidores da revista, quando relata resultados de um experimento sem qualquer sentido e fundamento.

Incrivelmente, esta matéria, sem qualquer investimento por parte da revista em sua página no Facebook, recebeu diversos likes, comentários e compartilhamentos, como descrevi no início.

Será que se ele tivesse criado uma página relevante, com conteúdo interessante, obteria os mesmos resultados? Afirmo que os resultados seriam muito superiores! Pois o poder de uma matéria bem elaborada, uma comunicação bem estruturada, associadas a investimento publicitário, é inquestionável.

Naturalmente, uma agência digital tem a ciência de que uma parte do que é investido se perde em cliques irrelevantes para fins de cálculo de ROI (Retorno Sobre Investimento). Mas isto deve ser previsto em uma ação de marketing online e o cliente deve ser devidamente esclarecido a respeito.

Veja alguns dos erros primários que o repórter cometeu ao tentar subsidiar sua tese:

– Fez o experimento em segredo total, quando deveria contar com o apoio de uma agência especializada em plataformas de redes sociais;

– Não atentou a princípios básicos como “conteúdo relevante” e busca pelo “relacionamento”;

– Não identificou segmentação para o público-alvo do anúncio pago: região, dados demográficos, interesses, faixa etária, entre tantos outros atributos para qualificar o grupo de usuários que deveria ser o foco principal de alcance da página;

– Investiu (para não dizer “gastou”) valores em anúncio pago sem qualquer estratégia comercial, pois tal orçamento deve sempre ser estabelecido a partir de estratégia de marketing com objetivo em algum tipo de retorno;

– Baseou todo o resultado do seu experimento a partir de páginas sem qualquer relevância, alcançando um público indefinido, inclusive com interações questionáveis.

Utilizar recursos pagos como Facebook Ads, Instagram Ads, LinkedIn Ads, Twitter Ads, Google AdWords sem uma estratégia definida, implica em resultados sem fundamentos e sem propósito. Todavia, investir em links patrocinados e publicações pagas com um plano de marketing bem elaborado, o retorno é irrefutável!

Naturalmente, gerar discussões e fóruns para tratar das implicações em investir nas redes sociais é sempre saudável, desde que tragam conclusões bem fundamentadas, porém nunca absolutas. Pois estamos lidando com um canal onde, hoje, até pequenas empresas adquiriram a oportunidade de promover seus negócios e, muitos, já o utilizam como a principal forma de promoção, com resultados significativos e de retorno extremamente positivo. Mas cada empresa possui a sua realidade. E essa individualidade deve ser respeitada e observada na hora de estabelecer uma estratégia de marketing online.

Diferentemente do que afirma a matéria em questão, a grande moeda social não são os likes de uma página, mas sua reputação. Ela é que será fundamental para o consumidor na decisão de compra.

Na verdade, na verdade, e no fim das contas, o que o repórter conseguiu provar foi o poder do investimento em publicidade no Facebook que, mesmo ferindo todos os princípios de marketing digital, obteve resultado (sem propósito, mas obteve) proporcional ao direcionamento dado ao experimento.

Então, aqui fica a dica… antes de acreditar nestes tipos de “pesquisa”, consulte o assunto com quem de fato entende e atua na área. E se você possui página no Facebook do seu negócio, não tenha medo. Invista! Apenas atente em fazê-lo da forma certa.

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